SOUAD MASSI (ARGÉLIA)
Souad Massi, frequentemente considerada a voz feminina mais bela do norte de África, construiu a sua reputação ao longo de mais de 20 anos de carreira. Impulsionada por uma determinação inabalável em falar a favor daquilo que mais valoriza: a liberdade e a justiça, as suas canções estão impregnadas de amor, altruísmo e coragem, com uma vontade constante de erradicar a intolerância. Já foi dito que ela é a Tracy Chapman do Magrebe. Longe da onda avassaladora do raï, Souad Massi, com a sua inspiração folk e a guitarra ao ombro, trouxe um novo som à música argelina. Nascida nos anos 70, no seio de uma família modesta de Argel, Souad Massi descobriu a música muito jovem.
Desde o início, a sua música foi uma mistura de encontros, contrastes e culturas, uma vez que estudou o que chamamos de música «clássica» a par da música arábio-andaluza. Sobre estes dois exigentes géneros, enxertou as suas próprias influências: blues, folk e rock. Souad Massi passa facilmente de um estilo para outro, tocando no início dos anos 90 com o grupo flamenco Triana de Argel e, no final da década, com o grupo de hard rock Atakor.
Souad Massi publicou a sua primeira cassete a solo em 1998. Escrevendo as suas próprias letras e música, chamou muito a atenção durante o festival «Femmes d'Algérie», realizado em Paris em janeiro de 1999, a tal ponto que foi contratada pela editora Universal Music Island-Mercury, que produziu o seu primeiro álbum. Esse álbum, «Raoui» (o contador de histórias), foi posto à venda em março de 2001. Passando do rock à música tradicional, o público descobriu uma artista que dominava estilos tão distantes como o folk-rock americano, misturando instrumentos elétricos e acústicos com a sua voz pura e comovente. O álbum vendeu mais de 80.000 cópias e Souad Massi atuou por toda a França com lotação esgotada, em locais como o La Cigale e o Olympia. Em 2002, o Estado francês nomeou-a «Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras». Com «Deb», o seu segundo álbum, publicado em 2003, Souad Massi modernizou a sua «world music» e realizou várias digressões por França e pelo resto da Europa, bem como pela África Central, América do Norte e Oceânia. «Deb» foi nomeado para os Victoires de la Musique 2004 na categoria de Melhor Álbum de Músicas do Mundo.
Em 2005, tornou-se Embaixadora das Nações Unidas para os microcréditos, com o objetivo de ajudar as mulheres de África. O álbum «Mesk Elil» (o aroma da madressilva), publicado em 2005, está tingido de nostalgia e aborda a dor do exílio e a distância. É fruto de várias colaborações e a sua amplitude musical revela uma grande abertura ao mundo. Em 2006, «Mesk Elil» recebeu o Victoire de la Musique para o melhor álbum na categoria de «Músicas do Mundo».
Em 2007, foi publicado o primeiro álbum ao vivo de Souad Massi, «Acoustic: The Best of Souad Massi», com versões acústicas mais íntimas das suas canções. Em 2010, Souad Massi publicou o seu quarto álbum de estúdio, «Houria», produzido pelo intérprete francês Francis Cabrel. Muitas canções deste álbum são em francês. O motivo, explica a artista, é que queria agradecer aos seus fãs que não falam árabe.
O ano de 2010 também marcou o início da colaboração de Souad Massi com o guitarrista Eric Fernández no projeto «Choeurs de Cordoue», que oferece uma nova abordagem à música arábio-andaluza.
Em 2011, Souad Massi foi galardoada com o prémio de Músicas do Mundo pela sociedade francesa de direitos de autor SACEM. «El Mutakallimun» foi publicado em 2015. Este álbum oferece textos extraídos das obras de grandes poetas árabes como Abu Madi, do Líbano, Abou El Kacem Chebbi, da Tunísia, e o poeta iraquiano do século X Al-Moutanabbi. Nesta notável mistura de géneros, o folk rock argelino encontra-se com a música africana, a bossa nova e a música tradicional de Argel.
De 2016 a 2019, realizou uma digressão como parte de um trio, juntamente com dois amigos tanto na vida como no palco: o percussionista Rabah Khalfa, que tocou com alguns dos grandes nomes da cena musical francesa e argelina desde os anos 70 (Renaud, Idir, Matoub Lounïs, Aït Menguellest), e o guitarrista Mehdi Dalil, um prodígio de 24 anos. Em 2017, foi elevada ao grau de «Oficial da Ordem das Artes e das Letras». O seu último álbum, «Oumniya» (o meu desejo), foi lançado no outono de 2019 pela Naive / Believe. As canções, maioritariamente em dialeto argelino e em francês, transmitem as suas preocupações sobre a Argélia e as causas que lhe são próximas. As suas letras falam de liberdade e emancipação, traição, amor e humanismo.
Prémios e nomeações: 2001: 1.º Disco de Ouro em França 2002: Cavaleiro condecorado da Ordem das Artes e das Letras (França) 2003: 2.º Disco de Ouro em França 2004: França - Nomeação Victoires de la Musique (categoria Melhor álbum de músicas do mundo) 2005: Embaixadora das Nações Unidas para a causa das mulheres no mundo. 2006: Reino Unido - BBC World Music Awards (categoria MENA) 2006: França - Prémio Victoires de la Musique (categoria Melhor álbum de World Music) 2011: Prémio SACEM de Músicas do Mundo 2017: Oficial condecorado da Ordem das Artes e das Letras 2020: Reino Unido - Songlines Music Awards (nomeado para Melhor álbum África) 2020: Países Baixos - Edison Jazz World awards (nomeado para Melhor álbum World Music) Siga a Souad Massi para saber mais: https://souad-massi.com/en/ Instagram: @souad.massi Facebook: @Souad Massi YouTube @souadmassi9980










